O livro que não queria ficar parado | Além das Manchetes

 Há algo quase poético em uma autora pedir aos leitores que parem de comprar seu livro.

“Bom Dia, Inverno” chegou ao topo das listas, virou best-seller e poderia ser motivo suficiente para comemorar cada nova venda. Mas Tamara Klink preferiu olhar para além da estante.

Ela pediu que os exemplares já comprados fossem emprestados, doados, compartilhados. Que chegassem às bibliotecas, às mãos de amigos, aos desconhecidos.

Porque livro parado é apenas papel. Livro circulando é encontro.

E talvez essa seja uma das maiores ironias da literatura: escrevemos para colocar palavras no mundo, mas muitas vezes queremos mantê-las intactas, intocadas, como se uma página marcada fosse um defeito.

Tamara propõe o contrário. Que o livro seja usado. Que ganhe dobraduras, anotações, páginas gastas e novas histórias pelo caminho.

Depois de passar oito meses sozinha em um veleiro preso pelo gelo do Ártico, talvez ela tenha aprendido justamente isso: algumas coisas só cumprem seu propósito quando continuam em movimento.

Um livro não precisa pertencer para sempre a uma pessoa.

Pode pertencer a muitas.

E talvez o verdadeiro sucesso de um best-seller não esteja em quantos exemplares foram vendidos, mas em quantas pessoas conseguiram, de alguma maneira, chegar até suas páginas.

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