Laura Cardoso | Vozes e Personalidades

Quando uma estrela deixa a televisão, mas não deixa a memória

Há despedidas que parecem maiores do que a própria notícia. A morte de Laura Cardoso, aos 98 anos, nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, deixa um silêncio difícil de explicar para quem aprendeu a reconhecer naquela voz, naquele olhar e naquela presença uma parte da própria televisão brasileira.

Nascida em 1927, Laura Cardoso começou sua trajetória artística ainda muito jovem, aos 15 anos, no rádio. Depois, tornou-se uma das pioneiras da televisão no Brasil e construiu uma carreira que atravessou gerações, emissoras, estilos e personagens. Na Globo, onde estreou em Brilhante, em 1981, tornou-se uma presença afetiva para milhões de brasileiros.

E como esquecer de suas personagens? Laura esteve em novelas que ficaram marcadas na história da televisão, como Mulheres de Areia, A Viagem, Chocolate com Pimenta, Caminho das Índias, Gabriela, O Outro Lado do Paraíso e A Dona do Pedaço. Em cada uma delas, não era apenas mais uma atriz no elenco: era Laura Cardoso, capaz de transformar pequenos gestos em grandes momentos.

Talvez seja por isso que sua ausência vá ser sentida de uma maneira tão particular. Assistir a uma novela nunca mais será exatamente igual quando faltar aquela expectativa de vê-la surgir em cena. Fará falta encontrar seu rosto na televisão, ouvir sua voz, acompanhar a força de uma interpretação que parecia carregar consigo a experiência de uma vida inteira.

Laura não pertenceu apenas a uma emissora, nem a uma geração. Ela pertence à memória cultural do Brasil. Foi atriz, referência, inspiração e testemunha de uma televisão que mudou muito ao longo das décadas. Sua trajetória ultrapassou os limites da tela e ajudou a construir a própria história da dramaturgia brasileira.

Agora, ficam os personagens, as cenas, as entrevistas, as fotografias e, sobretudo, a lembrança de uma mulher que fez da arte uma forma de permanecer. Porque alguns artistas não desaparecem quando as luzes se apagam. Continuam vivendo nas histórias que ajudaram a contar e na saudade de quem um dia parou diante da televisão para assisti-los.

Que seus familiares e amigos encontrem consolo neste momento de despedida. E que Laura Cardoso descanse sabendo que sua voz, seu talento e sua presença deixaram uma marca que o tempo dificilmente apagará. A televisão brasileira perde uma de suas grandes damas; nós, espectadores, perdemos uma companhia de tantas noites. Mas a memória, essa, continuará com a luz acesa.

O livro que não queria ficar parado | Além das Manchetes

 Há algo quase poético em uma autora pedir aos leitores que parem de comprar seu livro.

“Bom Dia, Inverno” chegou ao topo das listas, virou best-seller e poderia ser motivo suficiente para comemorar cada nova venda. Mas Tamara Klink preferiu olhar para além da estante.

Ela pediu que os exemplares já comprados fossem emprestados, doados, compartilhados. Que chegassem às bibliotecas, às mãos de amigos, aos desconhecidos.

Porque livro parado é apenas papel. Livro circulando é encontro.

E talvez essa seja uma das maiores ironias da literatura: escrevemos para colocar palavras no mundo, mas muitas vezes queremos mantê-las intactas, intocadas, como se uma página marcada fosse um defeito.

Tamara propõe o contrário. Que o livro seja usado. Que ganhe dobraduras, anotações, páginas gastas e novas histórias pelo caminho.

Depois de passar oito meses sozinha em um veleiro preso pelo gelo do Ártico, talvez ela tenha aprendido justamente isso: algumas coisas só cumprem seu propósito quando continuam em movimento.

Um livro não precisa pertencer para sempre a uma pessoa.

Pode pertencer a muitas.

E talvez o verdadeiro sucesso de um best-seller não esteja em quantos exemplares foram vendidos, mas em quantas pessoas conseguiram, de alguma maneira, chegar até suas páginas.

Libreria Acqua Alta: onde os livros também aprendem a navegar | Cultura em Crônica

 Há lugares que simplesmente guardam livros. E há lugares que parecem ter sido escritos por eles. Em Veneza, entre canais, pontes e fachadas que carregam séculos de história, existe uma livraria que transforma a literatura em experiência: a Libreria Acqua Alta.

Seu nome já anuncia a relação com a cidade. “Acqua Alta” significa “água alta” — fenômeno conhecido em Veneza — e foi justamente a convivência com a água que ajudou a moldar a estética extraordinária do espaço. Ali, os livros não estão apenas em estantes convencionais: são acomodados em gôndolas, canoas, pequenos barcos, banheiras e outros recipientes, criando uma paisagem literária tão inusitada quanto encantadora.

É impossível não olhar para tudo aquilo com certo êxtase. Há algo quase cinematográfico em caminhar por corredores estreitos cercados por livros, enquanto a decoração parece contar uma história paralela. A livraria não tenta separar literatura e Veneza — ao contrário, deixa que uma invada a outra.

E talvez seja justamente essa a sua maior beleza: a Acqua Alta parece uma Veneza feita de papel.

Entre livros novos, usados, raros, edições antigas e modernas, clássicos da literatura italiana, romances internacionais, poesias e obras dedicadas à própria cidade, os exemplares aparecem organizados de uma maneira pouco convencional. Não existe ali a rigidez de uma biblioteca tradicional. Os livros ocupam os espaços possíveis, como se tivessem encontrado seus próprios lugares dentro daquele pequeno universo.

No fundo da livraria, outra surpresa: uma escada formada por centenas de livros destinados ao descarte, transformados em degraus. A proposta é simples e poética: “seguir os livros” até alcançar uma vista dos canais venezianos.

E ainda há os gatos, que circulam livremente pelo ambiente e parecem assumir o papel de silenciosos guardiões daquele acervo. Eles completam a atmosfera de intimidade e fazem com que a visita pareça menos uma passagem por uma loja e mais uma entrada em um universo particular.

Até a saída de emergência é especial: uma antiga porta de madeira se abre diretamente para um canal. Em Veneza, até uma porta de emergência pode terminar em poesia.

O mais encantador é que toda essa experiência pode ser vivida gratuitamente. A entrada na livraria é livre, sem necessidade de reserva, embora o espaço seja pequeno e possa ficar movimentado. Atualmente, o estabelecimento informa funcionamento diário, das 9h às 19h10, com última entrada na livraria às 19h.

A Libreria Acqua Alta se tornou uma referência entre os lugares literários mais singulares de Veneza justamente porque não é apenas uma livraria. É uma espécie de manifesto visual sobre aquilo que os livros podem representar: memória, beleza, descoberta e permanência.

Ali, os livros não ficam simplesmente nas prateleiras.

Eles navegam.

E talvez seja por isso que, em uma cidade construída sobre a água, exista uma livraria onde até a literatura parece ter aprendido a flutuar.

Cristiano Ronaldo | Vozes e Personalidades

Entre gols, aplausos e alianças: quando Cristiano Ronaldo encontrou um novo significado para a vitória


Há jogadores que entram para a história pelos gols. Outros, pelos títulos. E existem aqueles que, com o passar dos anos, deixam de pertencer apenas ao futebol para se tornarem parte da memória de um mundo inteiro.

Cristiano Ronaldo é desses.

Seu nome atravessou estádios, países e gerações. A camisa que veste tornou-se símbolo de uma carreira construída com talento, disciplina, ambição e uma capacidade quase incansável de recomeçar. Dentro de campo, acostumamo-nos a vê-lo correr atrás de recordes, levantar troféus e desafiar o próprio tempo.

Mas há vitórias que não cabem em uma tabela de campeonato.

E talvez uma delas esteja justamente na fotografia de duas mãos entrelaçadas.

Depois de quase uma década de relacionamento, Cristiano Ronaldo e Georgina Rodríguez oficializaram a união em uma cerimônia civil e reservada em Cascais, Portugal, no dia 11 de agosto de 2026. A imagem das alianças, compartilhada pelo casal, diz muito justamente porque não precisa dizer tudo.

É curioso pensar que um homem acostumado aos flashes dos maiores palcos do futebol tenha escolhido celebrar um dos momentos mais importantes de sua vida de maneira íntima.

Porque o amor, quando é verdadeiro, não precisa de estádio lotado.

Georgina, por sua vez, também deixou de ser apenas “a mulher de Cristiano Ronaldo”. Ao longo dos anos, construiu uma identidade própria como modelo, empresária e personalidade pública, conquistando milhões de seguidores e transformando sua trajetória pessoal em uma marca reconhecida internacionalmente.

Há algo bonito nisso.

Ela esteve ao lado de um dos homens mais conhecidos do planeta, mas também encontrou espaço para ser reconhecida por aquilo que construiu com as próprias mãos. Sua presença na vida de Cristiano não apagou sua identidade; ao contrário, fez nascer uma história que passou a ser acompanhada por milhões de pessoas.

E talvez seja por isso que a fotografia das mãos tenha tanta força.

De um lado, as mãos de um homem que tantas vezes ergueram troféus.

Do outro, as mãos de uma mulher que segurou sua própria história e construiu seu lugar no mundo.

Agora, ambas carregam alianças.

No futebol, Cristiano Ronaldo aprendeu que uma carreira não se sustenta apenas com talento. É preciso persistência, disciplina e coragem para continuar quando todos esperam que você pare.

Na vida, talvez tenha descoberto algo parecido: nenhuma grande conquista faz tanto sentido quando não existe alguém com quem compartilhá-la.

Georgina tornou-se referência para muitas mulheres justamente por representar essa combinação entre família, elegância, trabalho, exposição pública e independência. Sua história também lembra que estar ao lado de alguém extraordinário não significa deixar de construir a própria trajetória.

E assim, enquanto o mundo olha para Cristiano e enxerga o craque, os recordes e os gols, talvez exista uma outra versão dele que apenas algumas pessoas conhecem.

O homem que volta para casa.

O pai.

O companheiro.

O homem que, depois de tantos anos acostumado a celebrar vitórias diante de multidões, escolheu celebrar uma das maiores delas segurando a mão da mulher que caminhou ao seu lado.

Talvez seja essa a beleza da fotografia.

Cristiano Ronaldo pode ter conquistado quase tudo aquilo que um jogador sonha conquistar.

Mas, naquela imagem, não há bola, estádio ou troféu.

Há apenas duas mãos.

E duas alianças lembrando que, depois de uma vida inteira correndo atrás de vitórias, algumas das mais importantes não são aquelas que o mundo aplaude.

São aquelas que a gente escolhe viver em silêncio, ao lado de quem ama.


Quando a moda sai das telas e ganha um novo propósito | Mundo & Atualidades

Há filmes que terminam quando sobem os créditos. Outros continuam vivendo nas roupas, nas frases e nas lembranças de quem os assistiu. O Diabo Veste Prada pertence à segunda categoria — e, agora, algumas das peças que ajudaram a construir esse universo ganharão um novo capítulo.

Meryl Streep idealizou um leilão beneficente realizado pela Christie's, reunindo figurinos e acessórios relacionados a O Diabo Veste Prada 2. Entre os itens estão peças usadas por nomes como a própria Meryl Streep, Anne Hathaway e Lady Gaga, além de criações de grandes grifes como Dior, Dolce & Gabbana, Schiaparelli e Valentino.

Mas talvez o mais interessante dessa história não esteja apenas nas etiquetas famosas ou no valor que essas peças podem alcançar.

O dinheiro arrecadado será destinado ao Comitê para a Proteção dos Jornalistas e ao Conselho de Designers de Moda da América. De um lado, a defesa de profissionais que trabalham diariamente para levar informação ao público. Do outro, o fortalecimento de quem transforma criatividade, tecido e identidade em moda.

É uma combinação curiosa — cinema, jornalismo e moda dividindo o mesmo palco.

E há algo de simbólico nisso. Afinal, O Diabo Veste Prada sempre falou sobre muito mais do que roupas. Falou sobre poder, escolhas, carreira, aparência e sobre o preço de pertencer a determinados mundos.

Agora, os figurinos deixam de ser apenas objetos de cena e passam a contar outra história: a de que aquilo que vemos nas telas também pode produzir impacto fora delas.

Entre os destaques está o vestido de penas usado por Lady Gaga no clipe de “Runway”, uma peça que carrega consigo a força visual de uma produção feita para chamar atenção. Desta vez, porém, o olhar sobre ela não termina na estética. Existe uma causa por trás.

A venda online acontecerá de 1º a 15 de setembro, enquanto a exposição pública das peças poderá ser visitada entre 8 e 13 de setembro, na sede da Christie's, em Nova York. Um leilão presencial para convidados também está previsto para 10 de setembro.

No fim, talvez essa seja uma das melhores maneiras de revisitar um filme tão marcado pela moda: perceber que uma roupa pode ser mais do que uma roupa.

Pode ser memória. Pode ser história. Pode ser arte.

E, quando deixa as telas para ajudar uma causa, pode também ser transformação.

Gilmore Girls: quando uma série vira memória | Crônica da Semana

Há histórias que terminam na televisão, mas continuam vivas em quem as assistiu.

Algumas séries a gente simplesmente assiste. Outras, de alguma forma, passam a fazer parte da nossa história. Gilmore Girls é uma delas.

Por isso, a possibilidade de um documentário sobre a produção desperta algo além da curiosidade. Queremos conhecer os bastidores, ouvir histórias do elenco e da equipe, descobrir como eram gravados aqueles diálogos rápidos e entender como Stars Hollow ganhou uma identidade tão própria.

Mas talvez o mais interessante não esteja apenas no que acontecia quando as câmeras estavam ligadas.

Está no que aconteceu dentro de nós enquanto assistíamos.

Para muitos fãs, Lorelai e Rory fizeram parte de uma época da vida. Luke's virou sinônimo de café. Os livros de Rory despertaram paixões. As ruas de Stars Hollow se tornaram um lugar familiar, mesmo nunca tendo existido de verdade.

E é justamente aí que mora a magia.

Um documentário pode revelar cenas que nunca vimos, curiosidades das gravações e histórias que ficaram longe das telas. Mas também pode nos lembrar por que aquela série continua encontrando novos espectadores tantos anos depois.

Porque algumas histórias não envelhecem.

Elas apenas encontram novas pessoas para amar.

Gilmore Girls nos ensinou uma coisa sem nunca precisar dize-la:

alguns lugares não precisam ser reais para se tornarem parte da nossa história.

Talvez voltar aos bastidores da série seja, no fundo, uma forma de voltar a Stars Hollow — nem que seja por algumas horas, com uma xícara de café ao lado e a sensação de reencontrar velhos amigos.

E você? Assistiria a um documentário sobre os bastidores de Gilmore Girls?

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Quando a eternidade volta às telas | Cultura em Crônica





Há histórias que terminam quando os créditos sobem. Outras permanecem vivas, esperando apenas o momento certo para reencontrar seu público.

Em 13 de agosto de 2026, Amanhecer – Parte 1 e Amanhecer – Parte 2 voltam aos cinemas. Para muitos, será apenas um relançamento. Para uma geração inteira, será a oportunidade de reviver um capítulo da própria juventude.

Quem viveu o auge da saga Crepúsculo sabe do que estou falando.

Era a ansiedade pela estreia, as filas nos cinemas, as discussões sobre Team Edward ou Team Jacob, os livros passando de mão em mão e as madrugadas dedicadas a terminar mais um capítulo. A história criada por Stephenie Meyer ultrapassou as páginas dos livros e transformou-se em um fenômeno cultural que marcou milhões de adolescentes e jovens adultos ao redor do mundo.

O tempo passou.

Os fãs cresceram, construíram suas vidas, mudaram de cidade, de profissão e de sonhos. Mas basta ouvir os primeiros acordes de "A Thousand Years" ou rever Bella, Edward e Jacob para que todas aquelas lembranças voltem como se nunca tivessem ido embora.

Esse talvez seja o maior poder da literatura: ela não envelhece junto com o leitor. Ela cresce com ele.

Hoje, uma nova geração descobre Crepúsculo pelas redes sociais, pelas edições especiais dos livros e pelos serviços de streaming. Enquanto isso, quem acompanhou a saga desde o início percebe que algumas histórias não pertencem apenas ao passado. Elas continuam encontrando novos leitores e espectadores.

O relançamento de Amanhecer não celebra apenas dois filmes. Celebra uma época em que os livros voltaram a ocupar espaço nas mochilas, nas conversas da escola e nas estantes de milhões de pessoas. Celebra o impacto de uma obra que incentivou muitos jovens a criar o hábito da leitura e mostrou que romances também podem atravessar gerações.

Na Biblioteca do Cronista, acreditamos que boas histórias merecem ser revisitadas. Elas nos lembram quem fomos e, muitas vezes, ajudam a entender quem nos tornamos.

Se você pretende reviver essa experiência, acompanhe esta página. 

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Porque algumas histórias não acabam.

Elas apenas esperam a próxima sessão.